Os desenhos da artista são espaços mentais, nascidos da narrativa da linha.
Há o desenho sobre o desenho, ou mesmo sobre os planos de cor.
Ou seja, o paradoxal fluxo da forma, que na sua voracidade pela
"linha justa" não se intimida em vivenciar a obsessão do rigor,
em situar-se entre o limite da clareza e o da solar saturação.
A linha adentra, se sobrepõe ao fundo, torce sobre si mesma, se multiplica em polípticos.
É um desenho cuja narrativa é o jogo entre o seu fazer e a preservação de uma lucidez formal,
é a perseverança da clareza e da luminosidade interna da obra, que não renuncia,
contudo, à desenvoltura concentrada do prazer de esticar, vergar, seguir com ela o máximo possível,
como se, deste modo, ela fizesse o contraponto à fragmentação da cor que
aviva as silhuetas recortadas e dinâmicas do fundo.
Guilherme Bueno
Julho 2010